terça-feira, 27 de setembro de 2011

O não de Mário Fernandes

O sonho de qualquer menino é vestir a camisa da seleção brasileira e servir o seu país. A frase é linda e talvez seria real até o início da década de 1990, mas não se enquadra em sua totalidade na atual conjuntura do futebol. A recusa de Mário Fernandes, zagueiro e lateral do Grêmio, evidência essa nova fase causada por inúmeros fatores.

A alegação de problemas particulares é justificável em um emprego comum, mas no qual 190 milhões de pessoas o estão esperando como um soldado, talvez não. O grande aliado de Mário Fernandes é que hoje, não são todos os milhões em ação para o Brasil ir a frente com a seleção. Apenas a Copa do Mundo move as pessoas, talvez mais interessadas em não trabalhar na hora do jogo, do que necessariamente em chorar pelo país campeão. E com esse desisteresse crescendo a cada dia, o meio do futebol também pouco se importa com a camisa mais pesada do futebol. A criança, citada acima, sonha é com a camisa do Barcelona, do Manchester United ou do Milan. Vestir a roupa da seleção brasileira é consequencia ou antecedência. Ou alguém pensa que Afonso Alves teria ganho sua breve fortuna no Middelsbrough-ING se não tivesse sido chamado por Dunga. É importante ressaltar que a Premier League exige uma cota de jogos pela seleção nacional do jogador para que ele seja contratado, fato que, sem dúvida, abre muitas dúvidas sobre a leviandade das convocações, principalmente de pernas de pau como Afonso.

Voltando ao interesse, outro fator desmotivador é a Senhora CBF. Com seu amante, Ricardão, mandando e desmandando em casa, o marido é preterido, não é mesmo Brasil? Sem essa química com o povo, os jogadores, que nascem do povo, já não ligam mais para a amarelinha. Sabem, como fez Mario Fernandes, que hoje a torcida do Grêmio o fará ídolo pelo gesto, tanto que renovou contrato com o tricolor gaúcho logo após o não à seleção.

Além do interesse dos atletas, qual torcedor está verdadeiramente interessada na vitória sobre a Argentina, uma rivalidade que parece cada dia ter sido mais forjada do que concebida naturalmente e que terá amanhã mais um jogo que não vale nada, há não ser mais faturamento à organização, como foi no estranhamente mal apurado Brasil x Portugal em 2008. Os torcedores querem é saber dos seus times no Campeonato Brasileiro, torneio organizado (organizado?) pela CBF, que no conflito de interesse, prefere os seus do que de seus sempre fiéis afiliados. Os clubes que já não contam com calendário decente, com janela de negociações benéficas e são conduzidos por um pastor de interesses e atitudes na mira da Polícia Federal, serão PREJUDICADOS na reta decisiva do torneio pelas cifras que brilham aos olhos da Senhora CBF e que não retornam ao caixa dos próprios clubes. E nesta roda gigante, pergunte ao torcedor do Botafogo se ele prefere ver seu time sair de um jejum de 16 anos sem títulos expressivos ou ver o Brasil vencer a Costa Rica. Ah, o torcedor não é tolo e não irá criticar a atitude de Mário Fernandes.

E o sonho do início do texto, esqueçam, o bicho papão já acabou com o encanto das crianças que preferem agora dormir em Camp Nou's, Old Trafford's ou Bernabeu's...

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