O problema que proponho como discussão para a postagem desta semana está longe de se limitar ao Mogi Mirim, mas cai como uma luva para tentar traduzir o que ocorreu no jogo de ontem em Curitiba. A praga da má administração de resultados. Não faz muito tempo e um dos chavões mais utilizados no futebol era: 2 x 0 é um resultado perigoso, fazendo referência clara a possibilidade real do adversário reverter este placar dentro de uma partida. Não por acaso ele está caindo em completo desuso. Infelizmente não é porque as equipes estão buscando o terceiro e o quarto gol, mas sim, porque elas estão tratando o 1 x 0 como um resultado quase irreversível.
O comportamento é quase automático. A equipe que faz 1 x 0 recua e joga no contraataque. Não existe avaliação da situação específica do jogo. Existe uma atitude padrão. Todo mundo atrás da linha da bola procurando retomar a sua posse para sair em velocidade, na maioria das vezes de forma desorganizada. É como um lutador de boxe que ao derrotar seu adversário nos três primeiros rounds de um confronto, volta para o quarto assalto tentando cozinhar o galo, ao invés de ir pra cima do oponente para tentar nocautea-lo. Tudo isso, para em tese, diminuir o risco de ser pego de surpresa no ringue. ou no gramado. Os times brasileiros ainda não se atentaram que esta opção, na maioria das vezes dá errado. Se o time tem controle do jogo e a vantagem para que mudar de estratégia? É dar vida ao quase morto que agonizava.
Foi mais ou menos isso que aconteceu com o Sapo. A vitótia de 1 x 0 no primeiro tempo esteve longe de ter sido por acaso. O Sapo não precisou ser cauteloso em excesso para ser defensivamente eficiente. Talvez tenha sido o único tempo de jogo durante toda essa Série B em que não houve uma grande falha para beneficiar o adversário. O Mogi não se propôs a ficar nas cordas apanhando e até chegou a assustar bastante o Paraná. Grande primeiro tempo de Gustavo. Bom primeiro tempo de Ratinho e um coletivo com cara de time que sabia o que queria.
Veio o segundo tempo e o Mogi começou a rebater bolas. Defender não é rebater bolas, defender não é rebater bola. É marcar os pontos fortes do adversário e evitar que ele tenha a posse da dona do jogo para que fique longe do seu gol. Ao invés disso, os volantes viraram zagueiros e os meias viraram volantes. Em pequena parte pelas mudanças do Paraná. Em grande parte pela atitude ou falta dela pelos jogadores. Não acredito que tenha sido ordem de Aílton. Acredito que tenha sido comodismo de fazer o mais fácil, o óbvio. Lutar contra a maré requer atenção e principalmente inteligência o que não é o forte do jogador brasileiro.
Não, não me parecer ser cedo para pegar a calculadora. O torcedor que quer ver e ainda acredita que o Sapo possa permanecer na Série B precisa ficar atento a quase todos os jogos do torneio daqui pra frente e torcer por resultados que ajudem o Mogi. Os jogos do Vermelhinho daqui em diante tem aspecto de mata mata. Todos eles. Isto é se o descenso não for decretado por antecipação.


0 comentários:
Postar um comentário