7 a 1 foi pouco. 8 a 1 e contando. Escapamos de levar outro 7 a 1. Melhor perder para o Paraguai nas quartas que ser goleado pela Argentina na semifinal. O brasileiro voltou a expelir um sintoma que há décadas estava neutralizado. A síndrome de vira-lata, que até 1958 dominou o diagnóstico comum dos brasileiros apaixonados por futebol, está de volta.
Culpa dos 7 a 1? Ah, sem dúvida ajudou! Culpa das tetas em que Teixeiras, Marins e del Neros mamam sem pudor e com muito poder? Sem dúvida, mesmo! Mas, o exagero depravado já causa irritação. Então a qualquer hora a Seleção Brasileira vai perder de 7? Esta geração é um desastre, só salva o Neymar? O Dunga é burro?!
Eu concordo em gênero, grau, número (seja qual for a ordem) com aqueles que amaldiçoam a atual gestão do futebol. Assino qualquer abaixo-assinado por uma mudança estrutural épica. Abaixo aos 'gravatas'! Quanto aos 'chuteiras', sou menos vira-lata.
1º - TÉCNICO - Dunga não é um gênio. Mas fez um bom trabalho entre 2007 e 2010, quando caiu para uma Holanda que marcou dois gols insólitos após um primeiro tempo em que o Brasil poderia ter matado o jogo. O problema de Dunga não é a imbecilidade daquela comparação feita na semana passada, mas, sim, o fato de ter sido o escolhido. A 'meritocracia' que faltou em 2007 (quando Muricy Ramalho era o melhor nome), foi repetida em níveis absurdos em 2014, quando Tite alcançou um nível extra-classe para os técnicos brasileiros e, mesmo assim, foi preterido por um técnico de currículo raso. Dunga, além disso, é da escola dos técnicos motivadores. E não dos táticos. Uma escola que emprega quase 90% dos nossos técnicos...
2º - ELENCO - Qual jogador não convocado por Felipão para 2014 que você chamaria? E por Dunga para a Copa América? Não haverá mudanças bruscas no seu plantel e no dos comandantes. Em 2014, eu levaria Miranda para ser titular da zaga. Em 2015, Lucas, do PSG, deveria estar na lista. Mas, em suma, é isso o que temos. E se não é um 1970 ou um 1982, também está longe de ser uma seleção das Bahamas...
3º - DESCONHECIDOS - Eu nunca ouvi falar desse cara, como convoca? Se esta sua frase foi usada sobre Roberto Firmino, o desconhecedor de futebol é você. O atacante é um dos mais regulares da Bundesliga, a liga alemã. Isso, da Alemanha, que muitos 'pagam pau'. O Alemão está em ótimo nível e Firmino tem se destacado com assistências e gols. Desde que foi chamado, também não decepcionou e, em meio ao emaranhado de problemas, foi até bem na Copa América. Há, sim, preconceito. Até com o nome. Ou com o passado, como Casemiro, hoje um volante respeitadíssimo na Europa.
Além disso, não se pode esquecer que Phillipe Coutinho foi um dos cinco melhores jogadores da Premier League 2014/2015. Diego Tardelli era um pedido de 8 em cada 10 brasileiros até ir para a China. Assim como Everton Ribeiro e Ricardo Goulart, que também saíram para mercados emergentes e de baixo nível técnico e competitivo. Para fechar, Luiz Gustavo, Oscar e Marcelo foram baixas por lesão, assim como o ótimo goleiro Diego Alves, que talvez permanecesse no banco de Jefferson, mas, a cada temporada, é um dos grandes na organizada e propagada Liga Espanhola. É claro que Neymar, tecnicamente, está acima dos colegas, mas há outras boas peças por aí.

4º - ADVERSÁRIOS - O Brasil perdeu para o Paraguai. A Argentina fez 6 a 1 no Paraguai. Certo? Certo, mas com calma. O Brasil vencia o organizado Paraguai, que sentiu o gol de Robinho e cedeu espaços. O Brasil não o matou, o Paraguai caçou um empate e, na sempre indefinida decisão por pênaltis, eliminou o Brasil. O mesmo que aconteceu com a Seleção, acontecera com a Argentina, na primeira rodada. A Argentina fez 2 a 0, acomodou-se e o jogo terminou 2 a 2. Se houvesse pênaltis, sabe-se lá o destino.
Já na semifinal, a Argentina fez 1 a 0, desorganizou o Paraguai e, ao invés de repetir a estreia ou o Brasil, matou. Fez 2 a 0 com Pastore (de temporada bem inferior à de Lucas, colega de PSG e até de Firmino). Sofreu o 2 a 1, mas, como havia aprendido a lição, fez 3 a 1. 4 a 1. 5 a 1. 6 a 1. A Argentina tem um 'meio-pra-frente' sensacional? Lógico! Higuain e Tevez, reservas de Tata, são melhores que Tardelli, mas, no todo, não há uma cratera monstruosa separando brasileiros e argentinos, para ficar em apenas um exemplo. Mas, mesmo assim, o complexo de vira-lata faz o atual torcedor da Seleção voltar à década de 50. E ficar feliz por escapar daquilo que nem sabe... Ou, já esqueceram que com Dunga, Júlio Baptista, Vágner Love e Josué, o Brasil trucidou a Argentina na Copa América da Argentina, em 2007. Sem Ronaldo, Rivaldo, Romário. Zico, Garrincha ou Pelé.


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