A primeira vez a gente nunca esquece. Frase gasta em qualquer esfera da vida e na vida de qualquer pessoa. Para um treinador de futebol, a primeira partida é importante, o primeiro título é a glória, mas o divisor de águas parece ser mesmo a primeira pressão. Em seu 39º dia como técnico de futebol, Edinho Nascimento terá seu primeiro jogo sob pressão. O Mogi Mirim enfrenta o Sampaio Corrêa, nesta sexta-feira (22), a partir das 21h50, no estádio Romildo Ferreira. E o cargo do técnico está ameaçado.
Mesmo que ninguém trate do tema oficialmente, jogadores e o próprio Edinho têm noção de que a partida é vital para a carreira do ex-goleiro e ex-auxiliar do Santos. “A gente tem que jogar por ele e para o torcedor também. Porque o torcedor merece uma reposta, junto com o treinador e a direção. Nós não podemos falhar mais”. A frase é do atacante Geovane, que não negou o desejo do grupo de recuperar o Mogi e, consequentemente, contribuir com a permanência de Edinho.
O atacante não negou que haja uma pressão pelo resultado. Reconheceu também que as duas derrotas na Série-B (para Criciúma e Bahia) ocorreram em decorrência de falhas individuais. “Ele (Edinho) armou o time certinho. Nós é que entregamos os gols aqui (no jogo com o Criciúma) e lá na Bahia”, enfatizou. Titular do ataque, Geovane tem a opinião compartilhada até por quem estará a disposição apenas a partir desta sexta-feira. Após passar por um período de condicionamento físico, o zagueiro Alex Moraes está liberado e deve compor o banco de reservas. O defensor também está inscrito na CBF desde quarta-feira (21) e fechou um vínculo até o dia 30 de novembro.
Já o vínculo com Edinho, Moraes espera que seja duradouro, mas reiterou que a pressão para a manutenção ou demissão do técnico está ligado à cultura do futebol brasileiro. “No Brasil é assim. Em duas rodadas, tanto na Série-A, como na Série-B, já teve uma sequencia de treinadores caindo”. Só que o zagueiro fez questão de garantir que o clima no grupo é ótimo e que os jogadores sabem que possuem capacidade para reverter o quadro.
E horas antes de fazer seu terceiro jogo como técnico, o filho do Rei Pelé reiterou que é súdito como qualquer outro em sua profissão. “Isso é natural do cargo, é assim que funciona principalmente no Brasil. Mas, eu estou muito tranquilo quanto ao trabalho, quanto ao nosso objetivo aqui, de fazer as mudanças que são necessárias para o clube crescer, ter sucesso”, garantiu.
Outra garantia dada pelo técnico é a de que em nenhum momento chegou a ser demitido em Salvador, logo após os 4 a 1 para o Bahia. Reiterou ainda que nenhuma conversa em torno de uma eventual demissão em caso de insucesso contra o Sampaio Corrêa esteve em pauta. “Não houve nada disso. Agora, se numa esfera executiva houve este tipo de diálogo, aí não sou eu que vou poder responder. O que houve de conversa foi em relação aos resultados e o que pode ser feito para mudar. Ele (Rivaldo) realmente está muito preocupado, o que é natural. É assim que funciona em uma empresa né, o maior responsável tem que tirar satisfações dos seus funcionários, da mesma forma como ele se reuniu também com o grupo de atletas e uma boa conversa é sempre válida”, afirmou Edinho.
Simultaneamente ao discurso compreensivo quanto ao modus operandi que há no Brasil em relação a treinador, Edinho fez uma espécie de autodefesa. A base do argumento? Histórias de outros técnicos. Ele relembrou que muitas passagens de sucesso de treinadores começaram com derrotas e que foram preservados por diretores e pela cúpula das equipes. “O próprio Vanderlei (Luxemburgo) quando chegou no Corinthians, parece que sofreu cinco derrotas e aí depois ele conseguiu tudo o que ele conseguiu. Existe uma série de exemplos”.
O DIVISOR DE ÁGUAS
No último treino tático antes de encarar o Tubarão, Magrão foi o mais utilizado e formou dupla com Geovane. Já no time reserva, o treinador fez questão de simular a velocidade do Sampaio Corrêa, utilizando Geovane Loubo aberto nas beiradas como teste para o sistema defensivo mogiano. Além de Bartholo, o Sapo não contará com o lateral direito Valdir (se recupera de um entorse no joelho) e o meia Everton Heleno (problema muscular). Ambos estão na reta final do tratamento. O atacante Thomas Anderson, que em março sofreu uma fratura na fíbula, deve voltar a treinar com o grupo em 30 dias e o meia-atacante Romildinho, que sofreu uma luxação no ombro esquerdo, em 15.
No Sampaio Corrêa, a principal baixa será o atacante Pimentinha. Destaque da equipe nos confrontos da Copa do Brasil contra o Palmeiras, o velocista sofreu um estiramento no músculo adutor da coxa esquerda. O substituto deve ser Cleitinho, que também foi elogiado por Edinho. “Só muda a perna boa”, comentou, em referência à habilidosa canhota do desfalque boliviano. Em compensação, o lateral direito Daniel Damião, recuperado de contusão, retoma a vaga de titular.
FICHA TÉCNICA – MOGI MIRIM X SAMPAIO CORRÊA
MOGI MIRIM: Daniel; Edson Ratinho, Fábio Sanches, Wagner e Leonardo; Magal, Romarinho, Vitinho e Elvis; Geovane e Magrão (Rivaldo Jr.). Técnico: Edinho Nascimento.
SAMPAIO CORRÊA: Ruan; Daniel Damião, Edvânio, Luiz Otávio e Raí; Moisés, Diones, Rogério, Cleitinho e Válber; Robert. Técnico: Léo Condé.
Local: estádio Romildo Vitor Gomes Ferreira (Romildão), em Mogi Mirim. Data: 22/5/2015. Horário: 21h50. Na TV: Premiere. Árbitro: Philip Georg Bennett (RJ). Assistentes: Gilberto Stina Pereira (RJ) e Michael Correia (RJ).

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