quinta-feira, 20 de março de 2014

Itapira perde uma lenda. O céu ganha mais um craque. Adeus, capitão Bellini

O futebol não é feito de gols. Quem pensa que balançar a rede é o grande propulsor deste esporte, está enganado. Ele é feito de lendas. Histórias. Seja de pessoas, clubes ou jogos. Esta é a grande mágica do futebol. Quando criança, sem nenhum tipo de parcialidade por parte de meu pai, aprendi a gostar de futebol. Via o São Paulo de Telê Santana, Raí & Cia brilhar na América do Sul e no mundo.

Foi então que aprendi a gostar de um dos principais braços do futebol. O jornalismo esportivo. Recordo de inúmeras revistas da Placar empilhadas no quarto. Aprendi a ler graças ao futebol. Aprendi que Milão ficava na Itália, que a Itália fez parte do grande reino de Roma, que Nero gostava de fogo. Tudo graças ao futebol. Nestas leituras, me lembro de quando vi que o grande mestre Telê havia nascido em Itabira. Logo, pensei em erro. Devo ter pensado em erro de digitação (mal sabia o que era digitar.

Fiquei frustrado quando meu pai explicou que Itabira era uma cidade mineira. Queria que Telê, meu ídolo, tivesse ligação com minha amada cidade. Anos depois, também graças às leituras esportivas, a frustração foi substituída por orgulho. Descobri que Itapira tinha sim um filho brilhante e expoente no esporte que eu aprendia a amar. Hideraldo Luiz Bellini. Para muitos, um zagueiro de fina estirpe. Para outros, um campeão mundial. Para mim, um motivo de orgulho.

Se Três Corações nos deu Pelé, Magé nos deu Garrincha, Lanús nos deu Maradona, Itapira nos deu Bellini. O ex-zagueiro, que envergou a camisa da Sociedade Esportiva Itapirense, também atuou por clubes como Vasco da Gama e São Paulo. Mas, foi na Seleção Brasileira, que Bellini entrou em uma lista imortal. Capitão da Copa do Mundo de 1958, Bellini foi pioneiro. Foi o primogênito dos capitães brasileiros. Antecedeu gente da envergadura de Mauro, Carlos Alberto Torres, Dunga e Cafú.

Mais do que isso. Bellini, sem querer querendo, se transformou em um mito não apenas no Brasil. Maradona, Beckenbauer, Cannavaro. Todos repetiram o gesto de elevar a taça aos céus. Ayrton Senna, Schumacher, Valentino Rossi. Em qualquer modalidade, erguer a taça à lá Bellini é praxe. Imaginem. Quando descobri que um brasileiro foi o criador desta cena mágica, já fiquei orgulhoso. E quando descobri que foi meu conterrâneo. Estou longe, anos-luz, dos feitos de Bellini, mas carregar o mesmo gentílico é, sim, motivo de orgulho. Ainda mais para um viciado em futebol.

Infelizmente, do gesto de alçar a taça do mundo em direção ao céu, agora quem parte para o time de cima é Bellini. A convocação feita por Ele está intensa e coesa. Com Gilmar dos Santos Neves, Nilson Santos e Eusébio recém chamados, nada melhor do que um capitão para direcionar a extraordinária lista celeste. Da frustração sobre Telê (com certeza, o eterno mestre lá de cima), resta agora uma frustração, Bellini. Não pude, no exercício da profissão que escolhi motivado por lendas como o senhor, ter a honra de entrevistá-lo. Serei obrigado a guardar as perguntas e cogitar as respostas aqui, na minha cabeça. Na mente que, se pudesse, viajaria até a maravilhosa década de 1950 e desfrutaria de todas as grandes conquistas do futebol brasileiros. Feitos que começaram lá, na Estocolmo que também foi de Bellini. Do Bellini que sempre será da minha Itapira. Até um dia, capitão!

HOMENAGENS AO ETERNO CAPITÃO

O Brasil se despede de seu primeiro capitão de um título mundial. Bellini será velado nesta sexta-feira no Salão Nobre do São Paulo FC. No sábado,  velório seguirá no ginásio do Itapirão, em sua terra natal. O enterro, após decisão da família, também será em Itapira. Porém, quem quiser se aproximar um pouco mais do ex-zagueiro, pode ler textos compartilhados em redes sociais, como os dos meus amigos Humberto Butti e Paulo Henrique Tenório. Outra boa sugestão está no ótimo site Trivela. No post, Bruno Bonsantti retrata em boas prosas detalhes da vida e carreira de Bellini no Rio de Janeiro e na Seleção. E um trecho da prévia da Copa de 1962, que mostra a honesta faceta do mais ilustre dos itapirenses.

LEIA EM - http://trivela.uol.com.br/bellini-nao-foi-gigante-por-ter-inventado-um-gesto-mas-por-nao-te-lo-repetido/
Copyright © LUCAS VALÉRIO | Designed With By Blogger Templates
Scroll To Top