sexta-feira, 3 de julho de 2015

Entrevista: Sérgio Guedes, novo técnico do Mogi Mirim

ENTREVISTA - SÉRGIO GUEDES, NOVO TÉCNICO DO MOGI MIRIM
O que você vai fazer de imediato?

Sérgio Guedes: No futebol atual, principalmente no Brasil, tudo é muito relativo. De você não estar vencendo ou de você vencer demais e ganhar uma confiança que de repente, o resultado proporcionou. Quando as coisas não caminham bem, é insegurança, é incerteza, é desconfiança e a preocupação de quem comanda, para que o tempo não passe demais. Quando você chega, você chega sem o dia a dia, sem este desgaste, sem esta pressão, esta desconfiança. Quando você aceita este tipo de desafio, é prazeroso para nós que amamos fazer o futebol e obviamente muito otimista e confiante no êxito, na mudança, principalmente nos atletas. Eles são os protagonistas, a gente só precisa mostrar o caminho, dizer a eles o que se fazer. O discurso de

Seu nome teve boa aceitação entre os torcedores e alguns o tratam como ‘Salvador da Pátria’. Como é chegar com este status?

SG: É muito importante você chegar com respaldo, porque traz este alento e a confiança nas pessoas que vão prestigiar esta nova expectativa. Eu sou um privilegiado do futebol, vivi os anos áureos, ou o final deles e acompanhei esta mudança, mas a gente tem uma essência, uma natureza da qual a gente dificilmente se desvincula depois dos anos. Talvez este otimismo que viram em relação à minha contratação, seja o mesmo que eu vi em relação a este lcube, a maneira pela qual ele é conduzido. A possobilidade de crescer é muito maior a partir do momento que você traz as pessoas que estão acreditando, que apóiam, que gostam, mas que se façam presentes para que a gente tenha uma dificuldade menor de fazer as coisas acontecerem.
Muito se comenta de que o Rivaldo interfere no time. Como você vai lidar com isso?

SG: Eu não vejo isso acontecer. Estou chegando, conheço o Rivaldo, a gente criou um grau de respeito já no São Caetano, ele foi meu comandado. Eu acho que quem comanda precisa exercer sua opinião principalmente quando é do ramo, é do metiê. Não interferir na escalação é uma coisa que eu já o conheço, já estive com ele em relação a isso no São Caetano, um convívio no qual me espantou o grau de umildade que tem, em relação à história que ele tem e a situação vivida no São Caetano. É um motivador para mim, se o meu nome foi escolhido e teve aprovação dele, e a visão e experiência que ele tem no futebol me qualifica, me dá responsabilidade . No futebol, a opinião é acrescida no dia a dia por quem não entendem, por quem não é do ramo e não é o caso aqui. Tudo é conversado, tudo é discutido e toda informação vinda de quem tem capacidade e conhecimento me dá luz para poder fazer as melhores escolhas, não abrindo mão das minhas convicções quando elas existirem, mas contando com todos, não só com o Rivaldo. Com todo o Departamento de Futebol, todo mundo que está nevolvido aqui precisa agregar forças e não ficar pelos cantos dizendo as razões pelas quais as coisas não estão acontecendo. Por a cara para fora e dizer, a minha opinião é essa, a minha expectativa é essa e acho que é possível fazer as coisas acontecerem, mas não escondidas, pela frente, como acredito eu, ele fará comigo também.

Você terá quatro jogos em 11 dias? Esta semana você tem quatro dias para trabalhar, você já consegue arrumar o time já para sábado (hoje)?

SG: Eu conheço o Ailton (Silva), foi meu assistente no São Caetano e o clbe este em boas mãos, ele é um profissional que saber trabalhar. Já tem alguma positiva para mim, eu não vou pegar terra arrasada apesar dos resultados não estarem acontecendo. A função neste momento é de agregar, é de motivar, alertar sobre a responsabilidade, sobre as expectativas. Se houver um entendimento, uma entrega maior, uma concentração maior e uma confiança que precisa voltara a acontecer, facilita. Os adversários não vêem o Mogi como presa difícil, vêem como obrigação. E, se nessa obrigação, enfrentarem uma equipe coesa, atenta, organizada, sabendo o que precisa fazer e fazer! Aí nos dá uma possibilidade de uma reabilitação e buscar uma sequência. Não adianta fazer cálculos, prognósticos, precisamos fazer uma grande apresentação e obviamente, por consequencia, trazer resultados, que vai dar sustentação no trabalho e tolerância e paciência para quem gosta do clube.
Você fez um grande trabalho na Ponte Preta (2008) e depois não teve tanto destaque assim...
SG: Foi marcante, foi uma das primeiras participações minhas, que já havia acontecido no início da minha carreira, na Portuguesa Santista, que sempre fez campanhas positivas, chegou a semifinal de campeonato. É que a gente não usa o marketing, como muita gente usa para ficar dizendo o que você faz. Neste processo pós Ponte Preta, que foi marcante, eu tive uma passagem pelo Santo André, na Série-A, também muito bem quando saí. O São Caetano, por duas vezes, G4, por questões administrativas, a gente se desligou. Muitos atletas que hoje estão na Seleção Brasileira passaram pelo meu comando. Existe um histórico legal. Às vezes você não é o protagonista, mas cria o alicerce para que alguém colha ou que alguma coisa boa aconteça. Eu não vislumbro protagonismo de nada, eu gosto de competir, gosto de vencer. Está na natureza minha, fui criado assim e não existe fiascos dentro daquilo que procurei fazer, sempre deixei os clubes pela porta da frente e coisas boas para os meus sucessores. Correndo atrás sempre do melhor, fazendo tudo do possível para que as coisas aconteça, uma entrega de corpo e alma e colocando tudo a frente, até em âmbito familiar, por que é daqui que sai tudo aquilo que a gente ambiciosa pessoalmente.

Você já passou por uma situação parecida, de pegar um time com um início tão ruim de campeonato? E pelo que viu, a meta é só fugir do rebaixamento ou dá para conseguir algo maior?

SG: Para, para os resultados aparecerem, precisamos da solidez a um trabalho, confiança em uma equipe com bastante convicção daquilo que vai se fazer, porque se não vira um hábito se jogar em comissão técnica, os jogadores se sentem muito seguros em relação a isso, porque não serão atingidos e eu sinto, que a partir deste momento, o âmbito englobou mais todos. Porque o clube não funciona somente com seu comando técnico, o clube é movido por um comando, que passa pelo comando técnico e que é traduzido depois, dentro do campo, com a realização daquilo que foi feito. Se o trabalho não é feito, se o jogador não faz aquilo que se tem de fazer, culpa-se os responsáveis para que isso não tenha acontecido, mas eu acho que a classe de jogador de futebol hoje em dia no Brasil, ela está completamente equivocada sobre aquilo que está acontecendo. Não há mais comprometimento, não há mais identidade, não há mais uma doação e sim um comércio que adentrou, que foi trazido e eles assimilaram. E a gente que prega um pouco diferente disso, entende que isso faz parte do contexto, obviamente é imediata a minha interferência e tentando persuadi-los neste momento até o final da competição, da prioridade. A prioridade é o trabalho que eles tem e o clube que eles tem é o Mogi.

Qual a principal ação de um técnico quando encontra um time sem vitória, sem auto-estima e confiança?

SG: A gente precisa ser muito eficaz. Você conversa com as pessoas envolvidassem tornar aquela opinião, a tua. Você conversa e passaaobversar. Eu acho que cria uma motivação muito grande no Brasil, quando há uma mudança (de técnico) porque o jogador de futebol, aquele que não está jogando, cria uma expectativa boa. Aquele que está jogando sabe que precisa se incomodar um pouquinho, por que o espaço vai estar aberto. Então, ahco que este contexto precisa ser muito bem mexido. A gente precisa ser muito sábio, muito criterioso, mas ser incisivo. Não adianta a gente ficar na teoria, teoria não funciona, a conversa não funciona. Imagino eu que, nesta nove rodadas, muita coisa foi dita, muita conversa foi jogada para fora e muita coisa boa foi dita, se assimilada foi, eu vou dar sequência a isso, eu vou encaminhar isso, eu vou istigar isso. Se não, eu vou dizer qual é a regra, a partir deste momento, no meu conceito, mas acredito eu que não muito diferente daquilo que vinha sendo feito.

Você tem jogadores de confiança, indicar um outro nome para o Rivaldo?

SG: Minha análise inicial é de que conhecer bem o que tem, não precipitar em nada. Tentar recuperar o que aqui tem. Se existe confiança, se existe recentemente bons campeonatos, é porque alguma coisa boa foi feita, senão não estariam aqui. Se consultado for sobre algumas expectativas, obviamente tenho as minhas, conheço o mercado. Acredito que a minha presença vai instigar alguns atletas, alguns representantes em procurar o Mogi, facilitar uma negociação. O futebol é hierárquico, eu não imponho nada, mas tenho os meus pontos de vista, minhas convicções e minhas indicações mediante as necessidades que por ventura a gente venha a ter.

Qual o seu perfil?

SG: Eu gosto de trabalhar muito com todos, não existe um tratamento específico. Eu sonho com vitória, eu sou um amante do resultado positivo e faço tudo para que isso aconteça. Desde o meu primeiro trabalho, minha chegada ao clube, eu fui ensinado assim, aprendi e assim e impregnou. É uma coisa que está embutida na gente e a gente não consegue mudar mais.
Vai usar o Rivaldo?

SG: O Rivaldo faz parte do elenco. Estive com ele no São Caetano e usei. Não sou bocó de deixar uma qualidade, uma história dessa em segundo plano. Ele tem consciência, é um desafio pessoal para ele, por que quando ele entrar em campo, é o Rivaldo de 2002. A expectativa é essa, pelo menos em lucidez, em liderança, em conduta. E te dou um exemplo. Eu, como treinador, me sinto orgukhoso e envaicedico de tê-lo ao meu lado, imagino, pelo menos é essa minha visão, quem tem a oportunidade de jogar. Eu joguei um dia com o Pelé. Do meu lado o Pelé e me motivou. A presença do Pelé me motivou, no aniversário dele de 50 anos. (neste momento, Rivaldo interrompe e pergunta se Guedes jogou contra Pelé e diz que seu primeiro gol pelo Palmeiras foi encima do próprio Sérgio Guedes, contra a Inter de Limeira e diz, em tom de brincadeira, que vai esquecer dos dois pênaltis que Guedes pegou do Edmundo e Guedes prossegue...). Começamos bem, com trocas de carinho. 

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