
Depois de ter visto seus filhos vencerem a medalha de ouro olímpica, chegarem às quartas de final da Copa do Mundo e fazerem a decisão do Mundial de clubes, a África espera que o campeão mais africano da história da Champions League seja coroado neste sábado, em Munique. A torcida do continente está com o Chelsea, equipe que diante do Bayern pode conquistar a taça com o maior número de jogadores dessa origem na história da competição.
São quatro os jogadores africanos do time inglês na final, feito só repetido pelo próprio Chelsea na era moderna da Champions, que se iniciou em 1993. Trata-se dos meio campistas Michael Essien, de Gana, Obi Mikel, da Nigéria e Salomon Kalou, da Costa do Marfim e do atacante Didier Drogba, também marfinense - o Bayern, por sua vez, não tem africanos no elenco. Os 'Blues' disputaram a final de 2007/2008 com estes mesmo atletas - Essien, Mikel, Kalou e Drogba -, porém, foram derrotados pelo Manchester United. O campeão mais africano até aqui é o Barcelona, que com o malinês Seydou Keita, o marfinense Yaya Touré e o camaronês Samuel Eto’o conquistou a taça em cima do United, em 2009.
O título do Chelsea seria o prosseguimento de uma evolução que vem sendo observada há décadas no futebol da região mais pobre do planeta. A ascensão dos africanos começou a ser vista com a Nigéria e suas boas campanhas em Mundiais Sub-20 na década de 1980. Nos anos 1990, Gana deixou todos surpresos ao levar a medalha de bronze nos Jogos de Barcelona-1992, feito superado pelos nigerianos, medalhistas de ouro em Atlanta-1996 depois de vencerem o Brasil, nas semis e a Argentina, na decisão. Camarões repetiu a dose e também subiu no lugar mais alto do pódio nas Olimpíadas de 2000, em Sidney, e a Nigéria conquistou a prata em 2008, em Pequim.
Nigéria e Camarões não tiveram o mesmo sucesso em copas do mundo, mas Camarões, Senegal e Gana provaram que a África está mesmo se tornando uma potência chegando até as quartas de final da competição mais importante do Mundo, a Copa, em 1990, 2002 e 2010, respectivamente. Também em 2010, o Mazembe, do Congo, derrubou o favorito Inter de Porto Alegre para fazer a final do Mundial de clubes com a Internazionale - foi vice. Um dos protagonistas do início do sucesso internacional dos africanos, o meio campista nigeriano Celestine Babayaro, campeão olímpico em Atlanta, é otimista quanto ao futuro dos seus conterrâneos.
“Acho que o futebol africano está evoluindo. A Copa na África do Sul foi organizada de forma perfeita. A própria Fifa disse que foi uma das melhores Copas da história. Isso mostra que a África está indo bem. Não é preciso fazer muito. Se trabalhar um pouco na nossa organização vamos muito longe”, disse ao ESPN.com.br o jogador de 33 anos, em Munique para a final da Champions.
Babayaro tem ainda mais razões para torcer pelo Chelsea. Além de ter defendido os ‘Blues’ durante oito anos até 2005, o hoje atleta do Los Angeles Galaxy espera que com Obi Mikel um nigeriano seja campeão do principal torneio interclubes da Europa novamente depois dos seus ex-companheiros de seleção Finidi George e Nwankwo Kanu terem conseguirdo o feito com o Ajax, em 1995. “Minha geração teve jogadores incríveis como Babangida, Kanu, Finidi. Mikel é um afortunado. Ele está na final da Champions e estou muito feliz por ele. Espero que ele levante a taça no sábado e sorria para o céu. Vou ficar muito feliz vendo o Chelsea vencer a Champions pelos meus irmãos africanos.”
FONTE: ESPN

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